Escrever cura. A partilha diminui o peso sobre os nossos ombros. Partindo do que eu acredito, escrevo pra me reerguer. Buscando um caminho dentro de mim.
Acordei exausta. Vai passar. Sempre passa. Mas decidi ficar na cama e sentir essa exaustão. Chorar. Aceitar e buscar formas de continuar, de só por hoje achar uma fonte que me nutra pra seguir por mais um trecho dessa longa e – ultimamente – super desafiadora caminhada.
Sim, estamos saudáveis e somos privilegiados também por isso. Amo minha vida, amo minha família, amo meus sonhos e tudo que vejo em mim hoje. Mas sou humana. Estou oscilando como humana. Meus filhos se amam e brincam muito, mas alguns dias tem sido difícil suportar os conflitos entre os meus filhos, mesmo que eu tenha consciência de que faz parte da experiência de serem irmãos e de que conviver intensamente está sendo um desafio dentro de todas famílias nesse cenário. Ter consciência não me faz mais resignada e nem tampouco mais paciente. Tem dias que eu perco a paciência com eles, comigo, com a situação. Dói. Mas buscar a paz é preciso.
Pensei em começar a flexibilizar mais pra que eles encontrem os amiguinhos, mas toda vez que penso nisso sinto um desconforto enorme com a decisão. Sinto que seria um paliativo associado à uma elevação de riscos de contaminação. Sinto que essa decisão é um reflexo da minha dificuldade em aceitar que precisamos nos “bastar” e nos conectar pra melhorar a situação.
As Lives tem sido meu elixir. É onde me sinto leve, onde estou reencontrando tantas pessoas incríveis e amadas que me nutrem na nossa troca. Fazê-las no final do dia é como recarregar o celular pra acordar e ele estar com a bateria cheia. Além das Lives, sigo no curso de Psicanálise e de Constelação Sistêmica. Ontem finalizei a reciclagem de Reiki Nível 1. Continuo em terapia, continuo atendendo como terapeuta, continuo realizando leituras de tarot, continuo fotografando e continuo cuidando do meu jardim.
Por outro lado, voltamos a incluir o Homeschooling dos meninos ( do Gabú com pouco compromisso ) e temos nos adaptado ao meu marido em Homeoffice dois dias por semana. Trabalhar, cuidar da casa, pensar na alimentação da tropa, lidar com o convívio diário e intenso numa situação de RECUO social é tudo, menos fácil e confortável. Mas necessário. Por enquanto.
Tem sido uma busca diária pra equilibrar o que entra e o que sai. Tem dias que sinto que sai mais do que eu aguento. Busco ajuda. Peço que me olhem também. Peço que considerem minha existência. Não sei ser só doadora. Não sei só gerar devedores, doando o que não tenho e esperando o retorno. Meu egoísmo grita, eu grito. É um alarme existencial. Sem culpa eu digo: preciso de tempo pra mim. E quem está comigo me acolhe. Me refaço. Me fortaleço. Me prontifico e assumo mais um dia na linha de frente.
Em dias que acordo assim me sinto humilde. Capaz de me colocar na base, de joelhos. Agradecendo e pedindo. Aquele dia que não acordo pra fazer, nem pra ensinar. Acordo como aprendiz. E, de repente, me chega na cama café com leite e tapioca com geleia. De repente vejo meu companheiro se esforçando pra lidar com os conflitos dos pequenos, propondo brincadeiras e um passeio pra que eu possa ficar sozinha em silêncio.
Que ilusão achar que o amor chega quando estamos no topo. O amor está no caminho todo, mas o sinto com uma intensidade absurda quando estou na base ainda tomando fôlego pra (re)começar a jornada.
Sigo. Com amor. Só por hoje. Amanhã é outro dia.🌻
