Muita gente me vê voltando a “aparecer” como fotógrafa e me pergunta: “Você está voltando? Que bom!”. E eu sempre saio incomodada com essa pergunta. Não, não culpo quem pergunta, mas questiono o questionamento.
Não, não estou voltando. Não estou voltando porque o olhar fotográfico sempre esteve comigo. Quem ama a fotografia, fotografa até mesmo sem ter uma câmera na mão. Fotografo com os olhos, com a alma, com o meu silêncio.
Nasci fotógrafa. Nasci apaixonada pelo que vejo, apaixonada pelas sensações que o olhar me traz, apaixonada pelo arrepio ao me deparar com uma imagem que “fala”, que “transforma”.
Passei anos treinando meu olhar, fotografando sem nenhum propósito profissional, colecionando histórias, me desvendando, buscando referências, amadurecendo. Passei anos trilhando outros caminhos que hoje fazem sentido, pois sem eles eu não teria a capacidade de encontrar conexões em tudo que eu vejo e faço. O meu encontro veio do meu desencontro. O que vejo vem do que vi, do que vivi. Meu olhar é único, é meu.
Agora, após anos me buscando, explodi como explode a libélula após anos vivendo dentro dos lagos como uma “lagarta”.
Meu caminho agora é meu. Aos poucos vou me libertando da necessidade da aprovação do outro, vou entendendo que nem todos entenderão minha obra e, tudo bem. Quero mostrar apenas aquilo que me traduz, que vai de encontro com o que sou ou com o que eu ainda quero ser. Quero que minha arte “estática” traga movimento pra sociedade onde eu e minha família estamos inseridos. Quero gritar com minhas imagens, mas também acariciar.
Eu sou de verdade, minha arte também.
Voa e vem comigo também!
