Vai e volta. Escrevo. Paro. Volto. Sempre volto.
Uma nova fase na minha vontade de escrever. Uma nova fase na minha vontade de falar. Uma nova fase na minha vontade de transbordar. Não necessariamente amor. Aviso dado.
Esses dias fui ler alguns posts que escrevi em 2007 no meu primeiro e querido blog www.retratoserelatos.com. Meu Deus, como eu me diverti comigo mesma! Adoro fazer esse exercício de me ler após algum tempo, pois desta forma é inquestionável a impermanência de nós mesmos e de como traduzimos a vida. Lendo a Maira de 28 anos senti muita coisa, me identifiquei com algumas coisas que ela dizia, mas que hoje eu diria de forma completamente diferente. A Maira de 28 anos usava muitas reticências e, por diversas vezes, me falta ar ao tentar lê-la. Percebi ali a pressa dela em viver, seu disparate, sua revolta, seu amor, sua intensidade. Eram muitos sonhos, mas também muitos medos. Tinha acabado de me mudar pra Alemanha, começando uma vida de casada na prática. Que experiência!
Na época as pessoas escreviam poucas palavras no Orkut e idem no Facebook. Os “textões” não apareciam nessas Redes Sociais. Faltava coragem e banalidade. Então eu escrevia com muita frequência no meu Blog pra poder me expressar em um lugar onde eu poderia encontrar ao menos pessoas que compreendessem meu idioma, já que em 2007 eu não falava absolutamente nada em alemão. Comecei timidamente, mas aos poucos fui encontrando ali um “setting terapêutico”. Eu escrevia o que sentia e pessoas me respondiam se dizendo extremamente afetadas pelo que eu narrava e pela forma que eu narrava. Fui ficando cada vez mais entregue àquela função, percebendo que me ajudar estava também ajudando outras pessoas que se identificavam com os meus relatos. De repente comecei a receber emails enormes relatando situações extremamente privadas de pessoas absolutamente desconhecidas, onde pediam meus conselhos e meu sigilo. Em alguns períodos eu nem dava conta de responder como eu gostaria e, acredito, até hoje muitos ficaram sem resposta. Por um lado eu me sentia importante pra aquelas pessoas, por outro eu começava a ter medo da responsabilidade sobre tudo o que eu escrevia.
Após a chegada do meu primeiro filho, o Rafa em 2011, reduzi a quantidade de posts e quando escrevia estava sempre relacionado à nova experiência: ser mãe. Lembro de escrever textos tão ingênuos, trazendo soluções mágicas para todas as mães e pais do mundo, mostrando que eu sim sabia como fazer, construindo a cada parágrafo uma nova mãe ideal. Tanta ilusão! Aos poucos fui experenciando as incertezas maternas, as frustrações, as regras dos manuais mágicos que de não funcionam e a culpa de não ser capaz de fazer meu bebê feliz 100% do tempo. Que bom que a gente desperta. Bem, alguns pais despertam, outros viram Coach Parental.
Depois veio o segundo filho, o Gabú em 2016, e a preguiça de escrever textos longos quando, de fato, todos queriam mesmo era que você produzisse memes curtos, engraçados e superficiais. Passei a escrever apenas posts no Facebook e depois no Instagram. Muitas vezes eu começava a escrever e ia me empolgando. Na hora de postar o Instagram dizia que tinha passado do limite de palavras. Então, como eu acho deprimente usar os comentários pra terminar de postar o texto completo, ficava uma hora revisando o texto pra que ele coubesse na “forma” do Instagram: curto e raso.
Essa limitação já estava me incomodando há um tempo e eu sempre dizia que precisava voltar pro Blog. Mas percebi que ainda não estava pronta. Meus pensamentos ainda estavam imaturos. Eu sentia que algo precisava mudar muito. Pra variar eu sabia que uma mudança aconteceria, mas não tinha nome. Eu só precisava estar atenta à minha intuição.
E chegou o momento. Infelizmente jamais vou saber o que a Maira de 28 anos acharia dos textos da Maira de 42 anos. Gostaria que ela pudesse lê-los, que me dissesse que eu consegui honrar sua inquietude, seu olhar crítico e analítico, sua criatividade e sua forma livre e divertida de conversar através das letras.
Espero que se conectem! Talvez alguns desconfortos aconteçam, então lembre-se: esse Blog é sobre mim, não sobre você. Se o que eu escrever aqui te servir, vista. Se te incomodar, leva pro seu Analista.
Escrevo pra transformar. E você: me lê por quê?
